Folha Riograndense

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Equilíbrio ambiental é a formula na restauração de APPs nas áreas de silvicultura

Para a CMPC Celulose Riograndense a preservação do meio ambiente é um conceito que está integrado à missão, aos valores e a sua política
florestal onde está explícito que a empresa busca ofertar produtos obtidos de forma sustentável a partir de plantios de eucalipto, promovendo
a melhoria da biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas nas áreas onde atua.

De acordo com as informações levantadas pelo pesquisador sênior da CMPC Celulose Riograndense, Elias Frank de Araújo, a recuperação
destas Áreas de Preservação Permanente (APPs) é mais do que uma questão legal, é um princípio da nossa empresa. “Estamos muito empenhados
em oferecer este melhor equilíbrio ambiental, e por isso nos sentimos compromissados a ir além do que a legislação cobra. Isto significa:
devemos empregar as melhores técnicas e os recursos disponíveis”, observa ele.

Para que as APPs exerçam suas funções biológicas, como por exemplo, servir de abrigo para animais, diversidade vegetal e proteção dos cursos de água, a empresa lança mão de um programa interno de recuperação. “Nós fazemos uma avaliação cuidadosa de cada caso. Isto porque em cada horto florestal contamos com uma realidade diferente. Então é preciso fazer um cuidadoso estudo para dar um empurrãozinho na natureza. Os resultados obtidos até agora são animadores, especialmente porque estamos adquirindo novos conhecimentos e novas técnicas nesta tarefa”, destaca Araújo.

Para a restauração florestal são feitas diferentes avaliações para caracterização da área. Isto inclui desde a pesquisa das espécies indicadas
para cada região até a análise das condições do solo, de umidade, etc.

Após, explica o pesquisador, são aplicados métodos alternativos ao plantio destas espécies nativas. “As áreas a serem recuperadas são eleitasa partir da programação de colheita para o ano. Definida a área se faz então uma caracterização. Como cada caso é um caso diferente, a caracterização é feita antes da colheita de forma a orientar o tipo de corte dos eucaliptos. Muitas vezes se faz uma colheita diferenciada e manual que preserva aquelas espécies que estão ali em meio aos eucaliptos chamada de sub-bosque. Se eu pretendo recuperar aquela área eu tenho que pensar no aproveitamento destes recursos naturais que já estão ali presentes”.


Antes


Depois

 

Tecnologia e pesquisa reduziram custos além de respeitar mais o processo natural de regeneração das áreas


Exemplo de nucleação

Os primeiros estudos deste tipo de restauração ambiental começaram em 2010 e ganharam força com a parceria estabelecida junto aos grupos de pesquisa das Universidades Federal de Viçosa (UFV), Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS) e Federal de Santa Maria (UFSM) que tinham experiência em restaurar áreas degradadas tanto no bioma Mata Atlântica como em áreas do RS, a partir da nucleação, isto é, com menos plantas por hectare, mas adensadas em
núcleos seguindo um modelo ditado pela própria natureza que funciona desta forma. Uma planta central cercada de outras plantas nativas de crescimento mais rápido. Este esquema se mostrou muito mais eficiente, permitindo que o próprio meio promova a expansão e ocupação da área.

Seguindo métodos tradicionais aplicados anteriormente, se plantavam mais de mil mudas por hectare. Isto tinha um custo alto tanto para implantação como para realizar as manutenções, como por exemplo capinas e adubações.

“O uso de alternativas menos agressivas onde o homem interfere muito menos no meio ambiente natural permite atualmente um custo menor que as práticas tradicionais e têm um foco mais ecológico, que estimula a regeneração natural das áreas”. completa o pesquisador. Outra técnica importante que vem sendo adotada pela equipe do programa de restauração de APPs da CMPC Celulose Riograndense é o resgate de plantas. Por este método é possível aumentar a diversidade de espécies, inclusive de espécies raras, evitar a morte de mudas em área de corte e apresentar um custo bem menor do que a compra de uma muda.

Araújo lembra que a preocupação em garantir uma diversidade de espécies está presente em todo o trabalho da CMPC Celulose Riograndense. Ele cita que, além do resgate de plântulas nos talhões de eucalipto, há uma multiplicidade de alguns métodos (mudas de viveiros externos, mudas de viveiros da empresa, propagação vegetativa, serrapilheira, chuva de sementes, entre outros) para não depender de uma única metodologia. “É um conjunto de
técnicas que combinadas e aplicadas de forma correta fazem a natureza tomar conta do espaço que lhe pertence”, conclui ele.

Carta Aberta
Hortas domésticas: saúde em forma de alimentos naturais

Apoiados pelo Programa Educação para a Saúde (PESC) da CMPC Celulose Riograndense, pequenos produtores rurais no município de Santa Margarida do Sul, distante 300 quilômetros da Capital, recebem orientação do escritório municipal da EMATER/RS-Ascar para serem autossuficientes com a produção de hortas domésticas. O projeto Segurança e Soberania Alimentar nas Comunidades através de hortas domésticas “é importante, pois funciona como catalisador no processo de ampliação das hortas domésticas dos agricultores familiares, visando a melhoria da alimentação e o
incremento da produção além de ser uma alternativa para comercializar os produtos excedentes” destaca Viviane Dutra extensionista social da Emater/RS -Ascar.

Ao lembrar que há uma relação direta entre saúde e alimentos frescos a extensionista da Emater/RS-Ascar assinala que cada agricultor recebeu a quantia de R$ 1.400,00 em materiais para a produção de sua horta. Recurso usado na compra de mudas, sementes, telas, moirões e outros insumos. Conforme Viviane, “Tem o aspecto de educação que difunde conhecimentos técnicos além de oferecer a oportunidade para que as famílias encontrem também uma fonte alternativa de renda. São utilizados métodos educativos, didáticos que, através de demonstrações técnicas, multiplicam
o conhecimento nestas comunidades rurais”, completa Viviane Dutra. A Emater/RS-Ascar também foi a responsável pelo levantamento dos materiais utilizados e pela análise do solo, feita pelo engenheiro agrônomo da Instituição, Fabiano dos Santos.

Fique por Dentro
Calendário de atividades florestais de outubro a dezembro de 2015

Aqui, você acompanha a programação das atividades previstas para os municípios onde a Celulose Riograndense tem plantios florestais nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2016. Na silvicultura, ocorre o preparo cuidadoso do solo, plantio e acompanhamento de todas as fases de crescimento
da planta.

Durante a colheita, são utilizados os maquinários apropriados ao corte de eucaliptos e adequação ao baldeio. No decorrer da atividade de transporte, a madeira colhida é encaminhada até a CMPC Celulose Riograndense em caminhões exclusivamente preparados, que circulam, além das rodovias, também pelas estradas rurais.

Você sabia?

No último dia 11 de janeiro a Celulose Riograndense iniciou o tráfego de cargas pesadas em seu acesso privado, que interliga a empresa à rodovia federal BR-116, no km 302. A área onde foi construída a estrada, com extensão de 4,3km, já era de propriedade da empresa e a realização da obra teve investimento de 30 milhões de reais. A expectativa é de que em até três meses todas as cargas que acessarem e sairem da fábrica utilizem o novo acesso para chegar à rodovia federal. As entradas e saídas serão monitoradas por câmeras.

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Descarte adequado no horto florestal qualifica gestão de resíduos

Separar, acondicionar e armazenar de forma correta. Esta fórmula simples pode ser a melhor resposta que os trabalhadores florestais podem dar para o processo de gestão de resíduos.

De olho no tema e preocupada em reduzir ao máximo o impacto ambiental dos resíduos gerados nas suas frentes de trabalho, a CMPC Celulose Riograndense investiu na revisão dos procedimentos, treinamento dos profissionais e acompanhamento do fluxo de descarte junto às equipes de campo.

Para a educadora ambiental Jacira Bazotti, as adequações destes procedimentos são muito importantes principalmente em função da ampliação da produção industrial e consequentemente das atividades florestais, aumentado a geração de resíduos. “Torna-se especialmente importante qualificar o processo, tornando-o mais efetivo com a participação e cooperação de todos”.

Atendendo as demandas relacionadas com resíduos nas áreas florestais da empresa a educadora ambiental Tamara Cerva Alves explica “Estamos fazendo um trabalho de comunicação e de informação direta, percorrendo as frentes de silvicultura e colheita, pois muitas vezes com um gesto mínimo e que exige somente atenção conseguimos alcançar o objetivo”.

O fluxo do trabalho começa orientando as equipes, informando os trabalhadores florestais que os resíduos precisam ser separados e destinados
de maneira adequada.

Tamara cita, por exemplo, que materiais recicláveis como copos plásticos, garrafas pet e papéis, são misturados aos resíduos contaminados com óleo. “Este material poderia ir paraa reciclagem, mas por descuido acaba por entrar em contato com o material contaminado que a partir deste momento passa a ser resíduo contaminado também, gerando um volume e custo maior de forma desnecessária. Orientamos para que os resíduos sejam descartados corretamente, separando no local de origem o material que está contaminado do restante”.

O desafio atual da gestão de resíduos é dar aos trabalhadores no horto florestal a dimensão do trabalho que desenvolvem e com isso aumentar
a sua conscientização. “Não é nossa intenção passar a ideia de fiscalização, punição ou penalização de quem não estiver fazendo a coisa certa. A proposta é de orientar mesmo. Ver o que na rotina do dia a dia pode ser feito para melhorar tanto na tarefa dos encarregados como dos operadores”.

Ideias novas, propostas
pelos trabalhadores,
ajudam muito o trabalho.

Tamara ressalta ainda que “É importante dizer que os trabalhadores lá no campo também cooperam com ideias novas para melhor separar e proteger os resíduos. Essa troca é constante e nos ajuda muito. Afinal a experiência deles e o conhecimento das áreas onde trabalham é muito importante para alcançarmos melhores resultados, que já são verificados nos resíduos que estão chegando na empresa.

Jacira lembra que os resíduos gerados nas atividades florestais seguem diferentes destinos. Os resíduos não contaminados têm o mesmo tratamento dos resíduos do município. Já os resíduos considerados perigosos como Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), tonéis, panos, mangueiras, filtros, estopas e até mesmo o óleo usado nas máquinas são levados para a sede da empresa em Guaíba e recebem um tratamento diferenciado.

O destino final do resíduo depende de sua natureza. As embalagens plásticas ou metálicas contaminadas são enviadas para uma empresa que faz a descontaminação e destinadas para reciclagem. Já as embalagens de produtos químicos como formicidas e herbicidas são devolvidas aos fabricantes no processo de logística reversa apontado pela lei nº 12.305/10 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

“Todo o material descartado terá um encaminhamento adequado com o menor impacto ambiental possível” finaliza Jacira.

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Projeto Mel de Eucalipto gera renda para apicultores e ajuda crianças com necessidades especiais

Uma parceria de sucesso entre a CMPC Celulose Riograndense e apicultores gaúchos vem promovendo renda para os apicultores e favorecendo crianças e jovens portadores de necessidades especiais. Trata-se do Projeto Mel de Eucalipto que há quase 20 anos permite que apicultores utilizem as áreas florestais da empresa para produzirem mel e destinarem parte da produção para estas instituições e estabelecimentos de ensino. Esta parceria se dá mediante a formalização de um contrato que estabelece responsabilidades e compromissos permitindo que os produtores utilizem os hortos florestais para instalarem suas colmeias.

Anualmente, a empresa realiza encontro com os apicultores. Nestes eventos é oportunizada a integração entre apicultores e destes com a empresa servindo para esclarecer aspectos importantes da produção de mel em áreas de manejo florestal.

Uma parcela significativa destes apicultores tem a maior parte da renda oriunda da apicultura, utilizando mão de obra familiar para realizar a atividade. São profissionais que há muitos anos se relacionam com a empresa e estão na atividade normalmente apoiados por cooperativas.

A contrapartida pelo uso dos hortos-florestais transforma-se na entrega à empresa de cerca de 8% desta produção, já envasados em recipientes de 1kg. Em 2015, foram mais de 8 mil quilos de mel entregues pelos 34 apicultores que mantêm contrato de parceria. Este mel foi repassado à 27 instituições – APAEs e escolas de ensino fundamental que atendem alunos com necessidades especiais.

A maior parte deste volume é comercializada pelas instituições que aplicam este recurso principalmente no custeio de despesas fixas,
aquisição de materiais e folha de pagamento dos professores. A venda é feita na própria instituição ou através da participação em feiras ou eventos nos municípios.

Parte do mel é doado às famílias dos próprios alunos e utilizado na alimentação dos alunos ou em oficinas de fabricação de bolachas. Além de envolver os alunos em oficinas de culinária, a comercialização destas bolachas reverte na geração de recursos que são aplicados na própria instituição.

No entanto, há instituições que aplicam o recurso da comercialização do mel exclusivamente em benefícios aos alunos com necessidades especiais. Este é o caso da EMEF Inácio de Quadros que atende 35 alunos com necessidades visuais. O recurso da venda do mel é aplicado na aquisição de materiais para a sala de recursos pedagógicos e custeio do transporte para algumas consultas.

Já a APAE de Lavras do Sul, por exemplo, destina o recurso da venda dos 240 kg de mel recebidos em 2015 para manutenção das atividades com alunos que evolvem danças tradicionalistas e peruanas. Confira no quadro desta página as instituições que foram beneficiadas em 2015.